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sábado, 6 de abril de 2013

Quinta, sexta, sábado-feira


por Victor Lambertucci

  
  A falta de tempo lidera a lista de reclamações. A pergunta surgiu hoje, na aula de inglês, com um daqueles exercícios em grupo que a gente acaba refletindo sobre a vida, tentando encontrar as palavras certas para se expressar na língua estrangeira. “I wish I had more time!”, em bom português: “Queria ter mais tempo!”. Já contou quantas vezes a gente diz essa frase num dia? Pois é, fica a pergunta, se ganhássemos mais algum tempo, 30 horas em vez de 24 - que tal? -, você não quereria mais, mais, e mais...?

    Uma coisa é clara, o speed limit já não é mais o mesmo, ou então estamos todos sendo multados pelo radar que mede o tempo natural das coisas. Confesso que às vezes a impressão é de que falta tempo para respirar. Cada um no seu quadrado – me apropriando da expressão funkeira que se faz útil no momento -, sendo você um workaholic,dona ou dono de casa, universitário ou artista, a sensação é que os dias são cada vez mais curtos.


    A sexta terminou tarde – era dia de festa, 51 do meu coroa -, e mesmo que a boa ideia fosse ficar na cama até ser acordado pelo cheirinho do almoço, o dever me chama! Rendeu post no facebook. Clima ameno, com direito a neblina. Na time line a foto da Reitoria no campus Pampulha da UFMG e as alternativas: a) continuar na companhia dos travesseiros (mania de dormir com mais de um); b) Levantar, espantar o sono com uma porção especial do cafezim matinal, ir para a aula de idioma.

  É o jeito. Durante a semana, de sete às sete na facul, recebido com sol, despedidas com a  lua. Lembro quando aspirava com amigos a uma semana que tivesse - at least three days of rest – pelo menos três dias de descanso, mas em vez da sexta virar permanentemente feriado, parece que o sábado foi batizado como nova sexta-feira. Isso porque os compromissos semanais de trabalho, estudo, tarefas que não fazem parte do lazer, tomaram conta do dia que costumava ser o primeiro da farra e do descompromisso. Resta-nos o polêmico domingo, dia sem muito movimento, amigo da cama e do sofá, mas que anuncia: vem aí, a temida e tampouco aguardada segunda-feira!


sexta-feira, 8 de março de 2013

Manual de Instruções (Crônica)


por Victor Lambertucci
    E se a gente nascesse com um manual de sobrevivência? Que previsse todos os nossos movimentos, um roteiro, talvez; a receita de uma vida sagaz, porém fugaz. Seriamos robôs se assim fosse. Construídos para vencer o fogo, apesar de algumas gotas d’água serem suficientes para causar um curto circuito. Teríamos sentimentos?

   O ser humano e toda sua complexidade e relutância procura sim a perfeição. Quer dominar o tempo e de resto não seria ruim ter o mundo nas mãos. Nem se quer é preciso ir tão longe, vislumbrar as guerras imperialistas que prosseguem sem cessar, mesmo que os canhões e caças estejam por ora à paisana. Mas o cerne desta questão está no interior de cada indivíduo.

   Na busca pela perfeição, olvida-se do fato incontornável de que não somos e nunca seremos os tais seres irrepreensíveis. Seria então motivo de levantar a bandeira branca, render-se ao infortúnio ou carma de sermos todos uma balda na mesa de carteado. Não, não é bem por aí, não é simples assim, e como poderia?

    Sonhamos. Desejamos, ansiando pela conquista. Que se não existisse o medo, os defeitos e imperfeições, os desafios e impossibilidades, qual seria a graça da vida, pergunta-se. Dir-se-ia, entretanto, que às vezes ela poderia ser menos tomada pela graça e talvez mais singela. Coragem, coragem... Coragem! Não existe o tal manual de sobrevivência e vou lhes contar um segredo: nem nunca existirá. Se minutos se tornam horas e daí passam-se dias e anos, a vida – ironicamente fácil de ser escrita ou pronunciada – tem alicerce nas atitudes e ações que escolhemos, praticamos e compartilhamos. E o que seria da vida se houvesse um manual de instruções?



(últimos 30 dias)